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07 julho 2013

Lugar Nenhum

Untitled

Procurando pelos cantos desertos de lugar nenhum, qualquer coisa que não sabia que estava lá. Olhei para qualquer lugar, revirei qualquer livro, abri qualquer gaveta, observei qualquer foto... Não estava lá. 
Sentada na escada de tal lugar, tão diferente quanto minhas memórias, tentei lembrar-me de alguma coisa. Era escuro. Era vazio de tão escuro, escuro de tão vazio. Meus olhos não os viam mais, minha mente vagava por sorrisos, lágrimas e pontapés. 
Voltando a caminhada, percebo um espelho, mas nada havia lá. Não havia reflexo, não havia rachado, não havia nada. Como seria possível um corpo não refletir a ele mesmo? Como seria possível não ser mais a mesma? Joguei-o uma pedra. Estava farta do vazio de lugar nenhum. Queria fugir, mas como fugir de um lugar que não existe? 
Todos os dias continuei procurando. Procurando algo, procurando nada... Procurando. Não estava lá.
Passei por prédios inexistentes, pessoas inebriadas, carros falsos e lugares que ali não estavam. Chorar já não podia, gritar era impossível, correr tornou-se a única saída. Correr para o escuro, para a noite e fechar-me lá. Deitei-me em lugar nenhum, como se fizesse diferença de onde estava. 
O vento não deixou-me desistir. Enquanto andava para o nada, sem olhar se era dia, sem me importar se o céu estava cinza. 
Ainda procurando algo pelos cantos de lugar nenhum. Ainda não sabia o que estava lá, não sabia o que procurar. Apenas procurando. Procurando algo, procurando nada. Não estava lá.