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02 abril 2013

Aquele (tal de) verdadeiro amor...

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Lembro-me de como ela me contava sobre o amor em todas as suas formas. Toda vez que viajava para a casa de vovó, a pedia para contar essa estória. Eu e meus primos sentávamos diante a sua cadeira com os olhos ansiosos a procura de informações. Já sabíamos tudo o que acontecia, mas era sempre gratificante ouvir várias e várias vezes. Vovó não se cansava, sempre com um sorriso no rosto, prendia o cabelo em um coque e olhava pra cima como se voltasse àquela época.
"Tudo começou quando eu tinha 10 anos. Eu chorava todos os dias para minha mãe pedindo uma festa de aniversário, mas minha família não tinha condições. Eu era nova, mas havia de entender que as coisas eram difíceis na época. Neste dia eu estava sentada na praça da cidade, chorando. Ele apareceu e gentilmente me perguntou o que havia acontecido, limpei os olhos e encontrei com os dele que brilhavam ao me olhar. Disse em meio a lágrimas o que acontecia. Ele disse para não me preocupar, faríamos uma festa nós mesmos. Uma semana depois, marcamos de nos encontrar na mesma praça para fazermos a tal festa. Como previsto, nada saiu como planejado. Nossos únicos convidados eram um cachorro, um esquilo e seu ratinho de estimação. O bolo fora feito de barro e a sobremesa, com as folhas caídas do outono. Mas sim, nos divertimos muito aquela tarde. Ele disse que eu parecia uma flor, brincou com meu cabelo e disse que ficaríamos juntos para sempre. Então minha mãe apareceu. Ela dizia que não era direito uma menina tão bonita como eu, ser amiga de um menino negro. Nossas famílias brigaram e não tornei a vê-lo. Depois de alguns anos, conheci o avô de vocês. Nos casamos quando nossas famílias resolveram que era o melhor. Eu o amo sim. Mas nunca me esqueci do garotinho com brilho nos olhos que me jurou amor eterno"
Voltei para casa pensativa naquele dia. Já tinha ouvido essa história muitas vezes, mas pela primeira vez entendi o que ela quis dizer. Amor não é feito por convivência, amor não é um sentimento forçado. O amor é como alguma estação do ano. Ele vem e você não percebe até que o tempo mude drasticamente de chuva para sol, de lágrimas para sorrisos. O amor não é definido, o amor verdadeiro não machuca. O amor é como duas crianças de 10 anos: bobo e inocente.